Pra não dizer que não falei de "POO"

Amigas, clientes, leitoras, seguidoras….

Vim falar um pouco sobre as rotinas de No e

LowPoo

, que tenho estudado e recomendado ao vivo e virtualmente. E até agora praticamente não trouxe nada por escrito, algo que fosse meu. Falar mais do que tudo o que já existe? Trazer alguma novidade? Talvez eu hoje venha falar sobre aquilo que me incomoda. E o “incômodo” aqui significa propriamente questionamento. Quando vamos parar de buscar fórmulas?

Vejamos bem alguns fatos: vivemos a cultura do exibicionismo e dos modismos, a partir dos quais existem padrões pré-estabelecidos e fórmulas a serem cumpridas. O estar bem, a vaidade, vulgarmente falando, intimamente se relaciona ao exibicionismo e amaldiçoa a gente a um maniqueísmo selvagem: ou você está dentro (parabéns pra você, mas será que isso mede felicidade e realização?) ou você está fora (e daí, meu bem, são dois caminhos – o de choramingar, se sentir feia, fracassada, ou o de rever sua visão das coisas, não aceitar o pronto, entender as coisas como processo, não como fim).
Quando entendemos que as questões que tocam a nossa vaidade são parte de um processo de identidade, isto é, a procura de melhores formas de expressar ao mundo quem somos, começamos a construir uma base mais sólida e verdadeira em relação ao estar bem. Quantas vezes a gente já não fez escolhas de roupas, cabelos, amizades, profissão…. sem terem nada a ver com a gente? E onde estávamos com a cabeça? Muito provavelmente naqueles padrões que alguém criou, querendo expressar o que gera aceitação, negando, ainda que de forma não consciente, quem somos.
Tão antiga, tão atual a sentença “Conhece-te a ti mesmx!”. Enquanto estamos focadas em outras coisas, delegamos à mídia, à publicidade, ao Google, ao cabeleireiro, ao vendedor a tarefa de nos conhecer. E dá pra confiar? Migas, o único jeito de não levarmos o sapo na garganta, o produto de que não necessitamos, é se conhecendo. Cadê o “Meu corpo, minhas regras”? Liberdade remonta a poder, que nos exige conhecimento.

Na minha experiência de atendimentos e contato direto com as mulheres, posso perceber nitidamente, e na grande maioria, que precisamos dedicar mais atenção a nós mesmas. Querer cabelos que fogem totalmente à sua natureza, achar que o fio está pior do que de fato está, afirmar que o rosto é redondo de-lua-cheia (até quando é quadrado!), não saber se o fio de seu cabelo é grosso ou fino,

se tem frizz

, se é quebradiço… Apenas alguns exemplos. Falo como mulher também, que passa por todos esses processos de identificação, autoafirmação, busca do que quer da vida, de superações… Quando estou nos momentos mais críticos, não vou atrás de quem possa me levantar, não saio em busca de novas roupas ou cosméticos, não decido radicalizar os cabelos (coitados, não têm culpa!), simplesmente porque tem de ser de dentro para fora o sentir-se bem na própria pele. Não contem com a ética e o bom senso alheio.

Vivemos a época do “Não sou obrigada!”, graças à Deusa! Só que continua sendo difícil se amar. Fácil é mostrar peitinho nas redes sociais, axila cabeluda, cabelo-Bozo, cara-lavada no badalo quando você tem vinte anos de idade e veste manequim 38. Dá likes, choca a sociedade. Discursividade e retórica é uma coisa (e aqui se inclui a imagética também), eu fico realmente atenta em relação a comprometimento e gosto e falo muito é de vida real.
Então, na vida real, muitas das minhas clientes ainda não sabem o que é no e low poo. Elas não querem mais progressivar os cabelos, mas precisam administrar transição capilar, mais cabelo branco, mais frizz. Na vida real, as mulheres têm depressão, doença na família, mandam mensagem às 23h dizendo “Carol, me ajuda, tô me sentindo a pessoa mais feia e infeliz do mundo”. Muita, muita calma… Seria bem fácil “Amore, vem aqui, vamos ficar então bem lisa e bem loira”, porque a mulher em estado de fragilidade busca segurança, verdade ou qualquer coisa que a conforte naquele momento. Será que alguém, mais do que ela mesma, pode lhe proporcionar isso? Já mandei cliente para casa, sem realizar nada, apenas ajudando-a a arrumar os cabelos de outras formas. “Fulana, nada que faça no seu cabelo vai fazer você se sentir melhor, porque você já está ótima, apenas não consegue se perceber assim agora. Vai pra casa e pensa. Se ainda assim quiser fazer algo, me procura que podemos pensar juntas”.
Não demonizo as químicas, as loiras, ou o que quer que seja (nem a pagação de peitinho ou a axila e virilha cabeluda!). Conheço mulheres que alisam os cabelos desde a infância e são muito realizadas com os prós e os contras de sua escolha. Do mesmo modo que, ao indicar produtos para as clientes que sejam quimicamente menos agressivos, não estou dizendo que todo o resto não presta. Eu não sou a voz da verdade, faço questão de dizer, não posso testar tudo, porque meu cabelo é um tipo dentre os múltiplos que existem Brasil afora. O que tenho feito é tentar fornecer ferramentas que possam auxiliar no processo de autoconhecimento, como saber seu tipo de fio, seu formato de rosto, seu tipo de pele, para que esta mulher possa buscar dentro dos grupos que existem mais informações, encontrando mulheres que tenham traços semelhantes aos seus, que possam indicar produtos ainda não testados, otimizando tempo e dinheiro.
A quantidade de novos produtos, que trazem saúde capilar a valores justos, não é algo que a indústria quis inventar. Vamos também deixar claro que cacho não é moda? Se hoje existe preocupação com este nicho de mercado é somente porque a indústria se deu conta de que poderia ganhar com isso. Todo o processo de desconstrução de padrões europeizados, feito muito lentamente (desde a década de 70 que se questiona isso!) diga-se de passagem, trata-se de revolução, de conquista, de empoderamento puro! Ah: tudo isso veio pra ficar.
O mercado da Beleza mudou, como tudo mudou com as nossas crises atuais (na economia, na moral e ética, na política). O profissionalismo de hoje está amadurecendo também, buscando alternativas. Tem muita gente legal fazendo cabelo por aí, doando-se e preocupando-se humanitariamente com o bem estar e a saúde das clientes, porque antes amam o que fazem, amam o compromisso com as suas escolhas, muito mais do que o dinheiro. Somos seres ativos neste processo, de fato aproveitando as nossas liberdades, quando procuramos instrução, pesquisando antes de comprar seja lá o que for, fotografando rótulos de produto (que não são confiáveis… refiro-me à parte que traz a composição) e dando aquela pesquisadinha, questionando sobretudo, inclusive a si mesma e às suas convicções.
Deixo aqui as referências e links a quem possa interessar, sobre rotinas capilares de no e low poo, que mudaram a vida de muitas mulheres. Mas vejam bem: estamos falando de mulheres que conquistaram cabelos lindos e naturais, pesquisando, testando, compartilhando, e não buscando fórmulas.
Grupo do facebook No e Low Poo Iniciantes. Com mais de 250 mil participantes, não tem como não ficar por dentro de tudo. Peça entrada e leia as regras e instruções do grupo. Saiba que você, como iniciante, pode pedir que alguém apadrinhe você. <3
Existe um outro grupo chamado Rotinas Saudáveis – Trocas. Como o nome já diz, é possível fazer trocas com outras mulheres, quando aquele produto em que você investiu não funcionou no seu cabelo.
Para finalizar, deixo aqui indicação de um post meu sobre oleosidade excessiva, que se encaixa como exemplo de rotina low poo, aplicada ao cabelo liso.
Beijo e até o próximo post :*

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