Cabelo de filho: dilemas e sugestões

Cortar os cabelos, ato que para nós, adultos, é tão banal, ou ainda, é algo ligado à vaidade: para os pequenos não é bem assim que funciona.
O corte e cabelos, o penteado utilizado nas cabeças ou ainda a ausência de corte dos fios é, em muitas culturas, fator que sinaliza status social, cargo, hierarquias, rituais de passagem. Por que não entender o corte de cabelos de uma criança dessa forma?
Com certeza, para as mães, que precisam resolver o problema dos fios dentro dos olhos dos pequenos, o corte de cabelos entra como questão de higiene, de bem estar, de vaidade também. Pensemos, no entanto, que é preciso não forçar, a fim de que não se traumatize (desse modo, a criança fará birra até praticamente chegar a adolescência).
Entendamos o que se passa:
Para a criança, existe dificuldade em “tirar” uma parte de seu corpo (bem como ocorre com o processo das fezes, igualmente entendida como algo que é seu), ainda que seja um processo indolor.
O corte de cabelos é entendido como uma espécie de ritual de passagem, que delimita as fases de bebê, criança, pré-adolescência, adolescência. Para lidar com cada fase, levamos em consideração as especificidades de cada momento.
No caso dos bebês e crianças, é importante não associar o ato de cortar os cabelos como algo penoso, como um “mal necessário”, ou como um problema a resolver. Tratar com naturalidade, não obrigando a criança a sentar em cadeiras específicas, a usar capa…. É fundamental que a criança se sinta à vontade.

No caso da pré-adolescência, em que os pequenos estão afirmando a

capacidade deautonomia

, é bem comum que haja recusa de cortar os cabelos, principalmente entre os meninos. Se o costume foi desde sempre oferecer uma “recompensa”, nesta fase não surtirá resultado algum, porque o pré-adolescente está mais interessado na sua autonomia do que em presentes. A sugestão aqui é que se reafirme, sem impor, a importância de se manter os fios aparados. A mãe/pai pode reforçar os laços de cumplicidade, quando senta junto para ver cortes de cabelo possíveis, quando busca diálogo e alternativas em conjunto.

No caso da adolescência, é bem típico o conflito entre o que este jovem e o que os pais desejam. Como os adolescentes tendem a radicalidades, é sugerido que os pais sejam mais brandos, não levando tão a sério aquilo que os jovens pedem ou sugerem, até mesmo porque boa parte dos seus comportamentos podem ter o intuito de contestar ou chocar os pais. A saída sempre boa, em vez de simplesmente proibir, é buscar informação, juntamente com o filho, quando este sugerir um cabelo muito fora daquilo que os pais julgam adequado. Um exemplo são as químicas, que as meninas adoram! Lembrando que, nesta fase, tudo o que querem é parecer adultas. Uma boa saída é dar um enfoque no efeito prejudicial que as químicas podem trazer à saúde dos fios

.

Levei em consideração, para as dicas acima, minha experiência como cabeleireira em salão de shopping, local onde circulam todos os tipos de pessoas, onde puder vivenciar estas e tantas outras situações. Desde o início das minhas atividades, simpatizei com estes atendimentos, desafiadores e encantadores ao mesmo tempo, por toda a imprevisibilidade que trazem. Como conclusão e última dica, eu diria aos pais ou responsáveis que, quando encontrarem um profissional com o qual o filho se sintam à vontade (independente da escolha pessoal em relação aos profissionais que cuidam de seus cabelos), o mantenham no trato dos cabelos dos pequenos, pois já existe um vínculo de afetividade e confiança.

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